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Desvendando o Universo Feminino - Deusa Interior

 

Atena, a Deusa da Razão

A deusa Atena, tão bem representada na modernidade, encontrada nos escritórios de grandes empresas e em universidades, sempre impecável e formal em sua aparência, sociável e inteligente.

 

Atena, a Deusa da Razão

A deusa Atena, tão bem representada na modernidade, encontrada nos escritórios de grandes empresas e em universidades, sempre impecável e formal em sua aparência, sociável e inteligente.

É o arquétipo da mulher bem realizada profissionalmente, "Antenada" às questões de seu tempo. Uma mulher regida pela deusa Atena é uma guerreira incansável, sempre em busca de causas nobres para defender e de injustiças sociais para combater.

Além disso, Atena é sempre uma companheira fiel e leal. Isso coloca a mulher, às vezes, numa posição difícil quanto aos relacionamentos afetivos, porque sempre vê, no companheiro, um amigo, um pai ou um colega. O papel de amante lhe é desconfortável. Não sabe vibrar na energia do amor erótico ou maternal, apenas no fraternal. Sua couraça de guerreira parece que a protege dos envolvimentos mais ardorosos e da entrega sensual ou afetiva.

A mulher Atena hoje é capaz de ser uma excelente política, organizadora social ou empresarial, administradora ou pesquisadora. Seu espírito de luta a coloca sempre na vanguarda seja em qualquer área da vida social. Sua competência e agudeza da mente racional lhe conferem autoridade e uperioridade em todos os assuntos.  

Sobre isso, a escritora Jean Shinoda Bolen se refere de uma forma bastante significativa. Ela afirma que esse arquétipo feminino, numa sociedade patriarcal, pode levar a alguns equívocos, como a pensar que uma mulher assim, tão independente, pode ser um "macho de saias". É preciso compreender que uma mulher Atena se move não por imitação ou competição com o homem, mas conforme atributos que lhes são peculiares. Por exemplo, ela pensa com clareza e é tão batalhadora não porque esteja imitando o modelo masculino, mas porque este é um atributo peculiar à sua energia específica, aquela que deu origem ao mito da deusa Atena.  

Em nossa época, vimos à emergência desse arquétipo inconsciente em grande número de mulheres, dando origem a manifestações coletivas pela emancipação feminina. Acreditamos que o movimento feminista na década de 70 em todo o mundo tenha sido liderado por mulheres com essas características.  

Atena, arquetipicamente falando, é uma "virgem", no sentido primitivo do termo, que significa uma mulher sem homem. Este termo foi deturpado mais tarde pela interpretação religiosa, que o relacionou à falta de experiência sexual da mulher, mais especificamente, por um detalhe anatômico. A libido de uma mulher Atena é muito direcionada para a mente, restando à sua sexualidade relativamente pouco interesse ou desembaraço. Por não investir muito na consciência corporal, ela poderá vir a sofrer de certa frieza no sexo e de distúrbios ginecológicos, como infecções, tumores ou problemas menstruais. Mesmo assim ela tende a negar e a ver tudo isso como distúrbios puramente orgânicos.  

Isso se deve à sua excessiva identificação com o pai (ou aos princípios paternos), desvalorizando a imagem da mãe, com suas questões domésticas e maternais. Aliás, tudo que uma mulher Atena deseja é não parecer com a mãe. Mas, se por um lado, ela pode vir a ser uma filha zelosa e obediente ao pai, poderá também vir a se insurgir contra ele e tornar-se sua inimiga mortal, caso constate nele a ausência daqueles princípios que tanto preza, como a honra, a dignidade, a lealdade, a sabedoria, a sensatez, etc. Quando uma mulher Atena não encontra esses atributos em seu pai biológico ou no pai cultural (governantes, chefes, autoridade), ela se sente traída e pode se transformar numa feroz revolucionária.

A identificação de uma mulher com a energia de Atena pode se transformar num sintoma, caso ela não trabalhe suas emoções e não permita a emergência em si dos outros arquétipos representados pelas outras deusas. Desse modo ela está condenada a voltar sua energia infindavelmente para a cabeça, comprometendo a consciência dos outros aspectos da sua existência. Portanto, aquilo do qual Atena está mais distante - de sua mãe - é do que ela mais precisa. Uma Atena ferida pela falta do amor maternal pode se transformar numa Atena enfurecida, radical e agressiva, como existem tantos testemunhos na história do feminismo.

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